20 Anos antes de nascer o Rock 'n Roll
Mais precisamente em 8 de Novembro de 1933, na zona norte do Rio de Janeiro, nascia Sergio Augusto Bustamante. Na infância um amigo Russo lhe chamava de Sergei, porque tinha dificuldade em pronunciar seu nome corretamente, e o apelido ficou.
É impossível
contar a historia do rock sem envolver a figura de Serguei, pois foi num festival
de rock em Long Island que conheceu Janis Joplin em 1968. Depois viu Jim Morrison
tomando coloridas pílulas de Sunshine enterrado num sofá da sala
do Motel "La Cienega Boulevard"; e ainda conheceu de perto Jimi Hendrix
em Las Vegas.
Mas a glória mesmo foi reencontrar Janis em 1970 para uma canja em seu
show na boate New Holliday, no Porão 73 no bairro do Leme, Rio de Janeiro.
De lá para cá, deixou esporádicos registros de "singles
fonográficos" gravados para pequenas produtoras em limitadas tiragens,
somadas às dificuldades de distribuição. Seu trabalho ficou
restrito a pequenas lojas e audiófilos mais antenados com o não
convencional; hoje insuficiente para os aficcionados dos itens obrigatórios
da nossa cultura musical underground.
Serguei se compara a um ponto luminoso qualquer perdido no tempo e no espaço
sem saber direito de onde ou para o que veio.
Trava constantes batalhas entre a própria vida e sua arte. Paulo Coelho
disse que este "Anjo Maldito" amaldiçoa os Deuses por eles
não lhes revelarem sua missão no nosso planeta. Mas sabemos que
ele se diverte vendo gerações irem e virem, sem se dar conta de
que já entrou para a galeria do eterno, como um Pop Star. Por forças
circunstanciais, poucos tiveram a oportunidade de conferir de perto seu talento.
Apesar de seus quase 70 anos, este dinossauro do rock 'n roll do Brasil esbanja
energia, sem precisar de nenhuma droga aditiva ou qualquer tipo de isotônico;
sempre de visual bizarro, extravagante, hippie, autêntico, psicodélico
e bem humorado, ainda acredita que o mundo é uma flor sem espinhos e
sem dor. Talvez por isso continua agradando, pulando, gritando e dançando
o tempo todo.
Serguei é luz de válvula Serguei é cultura Rock and Roll,
adorado pelo amantes das motocicletas e motoclubes do Brasil, como os Falcões
Raça Liberta; já homenageou os Hell's Angels do Rio em 1983 quando
era acompanhado pela Banda Cerebelo. E na sede dos Abutres em São Paulo
lançou o livro biográfico "Serguei, o Anjo Maldito",
escrito por João Henrique Schiller.
Só depois de cantar para mais de 50.000 pessoas sentadas no chão
na segunda versão do Rock In Rio, em janeiro de 1991, recebeu o convite
para gravar seu primeiro long-play pela BMG, que ainda hoje continua inédito
no formato CD.
Serguei foi uma das primeiras sintonias com a pré psicodelia em "Eu
não Volto Mais" e "As alucinações de Serguei"
de 66. Usou e abusou das cores da Tropicália muito antes de flertar com
ela na música "Alfa Centauro". E mais tarde, "O Burro
Cor de Rosa" e "Eu Sou Pisicodélico". Todas estas, entre
outras, estão sendo resgatadas e apresentados às novas gerações
via Baratos Afins, que acredita estar preservando parte de nossos valores culturais.
Luiz Calanca